A Real Importância da Classificação de Winter e de Pell e Gregory Para a Exodontia de Terceiro Molar

A extração de um terceiro molar pode não ser tão simples quanto parece

Muitas vezes na odontologia, a exodontia é abordada de forma tão casual que nos esquecemos que estamos fazendo um procedimento cirúrgico. Contudo, existem "extrações e extrações" e alguns dentes são mais difíceis de serem extraídos do que outros. Por exemplo, é muito mais difícil extrair um segundo molar inferior do que um incisivo central superior.

Diante disto, vale destacar que os dentes que mais apresentam desafios ao cirurgião dentista na hora da extração são os terceiros molares.

Isto ocorre pois a complexidade da exodontia de um terceiro molar pode depender de diversos fatores, os quais devem ser analisados pelo dentista antes da extração, para que tudo ocorra como planejado durante o procedimento.

Os fatores que mais influenciam na dificuldade de extração de um terceiro molar são:

>Tamanho da coroa
>Morfologia Radicular
>Angulação do Dente
>Relação com o Ramo Mandibular
>Profundidade de Impacção
>Outros Fatores

Sem uma boa avaliação pré-operatória é impossível extrair o terceiro molar sem complicações
 A partir da análise desses fatores, é possível que o dentista descubra informações como:

>Necessidade de Osteotomia
>Necessidade de Odontosecção
>Risco de Fratura Óssea
>Risco de Dano ao Dente Vizinho
>Comprometimento de Estruturas Anatômicas Importantes

Como você pode ver, as informações obtidas a partir de uma analise detalhada dos fatores descritos acima são extremamente importantes, sendo praticamente impossível realizar uma exodontia de terceiro molar sem um exame detalhado.

E, para facilitar a análise de dificuldade de extração dos terceiros molares e padronizar termos foram criadas a Classificação de Winter e a Classificação de Pell e Gregory.

Classificação de Winter:


A Classificação de Winter é utilizada para uma análise da angulação do dente, classificando o terceiro molar de acordo com a angulação do seu longo eixo em relação à angulação do longo eixo do segundo molar. A Classificação de Winter divide os terceiros molares em 7 grupos:

>Verticais
>Horizontais
>Mesioangulados
>Distoangulados
>Vestibulovertidos
>Linguovertidos
>Invertidos

Os terceiros molares verticais são aqueles onde o longo eixo do dente segue o longo eixo do segundo molar. Enquanto a posição horizontal é caracterizada quando o longo eixo do terceiro molar está perpendicular em relação ao longo eixo do segundo molar.

Os sisos mesioangulados são caracterizados por uma coroa inclinada na direção do segundo molar, enquanto os distoangulados possuem longo eixo à distal ou posteriormente angulado em relação ao segundo molar.

Quando a coroa do terceiro molar incluso estiver voltada para a face lingual, o siso é classificado como linguovertido e quando a coroa se direcionar para a face vestibular, nós teremos um dente vestibulovertido. Por último temos os terceiros molares invertidos, os quais se encontram com a coroa voltada para a base da mandíbula e a raiz voltada para a oclusal (de "cabeça para baixo").

Abaixo você encontra uma imagem com a Classificação de Winter resumida:
Classificação de Winter

Classificação de Pell e Gregory:

A classificação de Pell e Gregory classifica os terceiros molares de acordo com dois fatores: A relação do terceiro molar com o ramo mandibular e a profundidade de impacção.

A relação com o ramo mandibular é determinada pelos números I, II e III, funcionando da seguinte maneira:

>Classe I: A coroa do siso, em seu diâmetro mesio distal, está completamente à frente da borda anterior do ramo ascendente.
>Classe II: Terceiro molar está parcialmente dentro do ramo.
>Classe III: Terceiro molar localizado completamente dentro do ramo ascendente da mandíbula.

Vale lembrar que esta classificação por números é valida apenas para os dentes inferiores.

Já a profundidade de impacção é avaliada através da analise da relação do plano oclusal do terceiro molar com o plano oclusal do segundo molar, classificando os dentes em letras A, B e C:

>Posição A: Superfície oclusal do terceiro molar está no mesmo plano oclusal do segundo molar.
>Posição B: Superfície oclusal do siso está entre o plano oclusal e a linha cervical do segundo molar.
>Posição C: Superfície oclusal do terceiro molar está abaixo da linha cervical do segundo molar.

Apesar da relação com o ramo mandibular ser analisada, claro, apenas para os dentes inferiores, a profundidade de impacção pode ser usada também para os dentes superiores.

Diante disto, os dentes inferiores podem ser classificados de várias maneiras, por exemplo:

>Um terceiro molar inferior que se encontra parcialmente no interior do ramo mandibular, com a sua oclusal posicionada entre a oclusal e a linha cervical do segundo molar, é classificado como B2.

>Um terceiro molar inferior que se encontra totalmente no ramo mandibular, com plano oclusal abaixo da linha cervical do segundo molar é classificado como C3.
>Um terceiro molar inferior que se encontra totalmente no interior do ramo mandibular, com superfície oclusal entre a oclusal e a linha cervical do segundo molar, é classificado como B3.
>Um terceiro molar SUPERIOR que possui superfície oclusal no mesmo plano da oclusal do segundo molar é classificado apenas como A.

omo você pode ver, podemos ter várias combinações para a classificação dos dentes inferiores, enquanto os superiores são classificados apenas como A, B ou C, de acordo com a sua profundidade.

Abaixo, deixo uma imagem que resume toda a Classificação de Pell e Gregory:
Classificação Pell e Gregory

Classificação de Winter e de Pell e Gregory Resumidas:


Caso tenha ficado alguma dúvida em relação ao assunto, estou deixando um vídeo produzido para o meu canal do Youtube, onde passo um resumão das Classificações de Winter e Pell e Gregory.


Obrigado por acompanhar este post até aqui!

Abraços,
André Martins - Arriba Dentista